CARÊNCIA DE ÁREAS VERDES E TEMPO DE TELA INFANTIL NAS PERIFERIAS URBANAS

DESAFIOS SOCIOAMBIENTAIS À LUZ DOS ODS

Autores

  • Maria Miryam da Silva Alves Universidade Federal do Vale do São Francisco image/svg+xml
  • Paulo Roberto Ramos Universidade Federal do Vale do São Francisco

Resumo

O avanço da urbanização nas últimas décadas vem provocando transformações profundas nas dinâmicas sociais e ambientais das cidades brasileiras. Entre seus efeitos mais perceptíveis está a crescente desigualdade socioespacial, expressa na concentração de infraestrutura e serviços nas áreas centrais, enquanto as periferias permanecem carentes de equipamentos públicos e de espaços verdes. Essa carência repercute diretamente nas oportunidades de lazer, socialização e contato com a natureza, impactando especialmente as infâncias urbanas. Paralelamente, o uso intensivo de tecnologias digitais têm transformado as formas de brincar, aprender e interagir. Crianças de diferentes contextos sociais passam cada vez mais tempo diante de telas, fenômeno que, embora possua dimensões educacionais e culturais, adquire contornos de problema de saúde pública quando substitui atividades físicas, brincadeiras ao ar livre e experiências de convivência social. A pandemia de COVID-19 intensificou essa tendência, ampliando o tempo de exposição a dispositivos eletrônicos e reduzindo ainda mais o acesso a espaços públicos. A combinação entre carência de infraestrutura verde e aumento do tempo de tela reflete não apenas mudanças comportamentais, mas também desigualdades estruturais que limitam o direito das crianças à cidade e à natureza. Nesse contexto, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente os ODS 3 (Saúde e Bem-Estar), 10 (Redução das Desigualdades) e 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis), oferecem um marco político e ético para pensar soluções integradas que conciliam urbanismo, educação e saúde pública. Diante disso, este artigo apresenta uma revisão integrativa da literatura sobre a relação entre a carência de áreas verdes e o aumento do tempo de tela infantil em contextos periféricos urbanos, à luz dos ODS. Foram analisados 24 estudos publicados entre 2018 e 2024 nas bases SciELO, PubMed e Web of Science. Os resultados evidenciam uma associação entre a redução de infraestrutura verde e comportamentos sedentários, mediada por fatores socioeconômicos, segurança urbana e acesso desigual à tecnologia. Conclui-se que políticas públicas intersetoriais e integradas, envolvendo planejamento urbano, educação ambiental e promoção da saúde, são essenciais para fomentar estilos de vida mais saudáveis e equitativos, especialmente nas periferias urbanas brasileiras.

Publicado

2026-11-06

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